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Fichamento Thamires Santos

Foto do escritor: Projeto de Pesquisas
Projeto de Pesquisas
25 de abr. de 2019
3 min de leitura

Atualizado: 26 de abr. de 2019


Jovens Insatisfeitos com a Imagem Corporal; Estresse, Autoestima e Problemas Alimentares.


INTRODUÇÃO

A busca de adolescentes e jovens pela imagem corporal ideal pode levá-los a atingir valores inadequados de Índice de Massa Corporal (IMC) e apresentar transtornos alimentares. Particularmente os adolescentes, por estarem em processo de formação da identidade, ficam mais susceptíveis às influências de modelos físicos idealizados, veiculados pela mídia e pares. Engajam-se, assim, em comportamentos de risco à saúde, visando a atingir a configuração corporal tida como ideal.

Essa situação é agravada pela exposição dos adolescentes nas mídias sociais, como Facebook, Instagram, dentre outros, em que imagens e trocas de informações entre usuários funcionam como motivadores para a busca do corpo ideal. Há o desejo das mulheres por cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, e dos homens, por moldar seu corpo via atividade física intensa. acrescentam que o desejo de emagrecer das garotas teria relação com a pressão social por atingir um corpo magro.

A insatisfação corporal pode ser compreendida como um incômodo que o indivíduo vivencia em relação aos aspectos de sua aparência física. Nesse sentido, salienta-se a importância de pesquisas com ambos os gêneros para ter maior compreensão da temática, assim como a inclusão de outras variáveis intervenientes desse processo, visando à integração dessas variáveis.


OBJETIVO

Estudar como se dão as relações entre algumas variáveis que a literatura aponta como relacionadas ao IMC e aos transtornos alimentares, que podem levar à depressão.

MÉTODO

Participaram do estudo 238 adolescentes e jovens (62,2% do sexo feminino), com idade entre 14 e 20 anos (M = 15,44; ± 0,81). Todos eram alunos de escolas particulares da cidade de Curitiba, Paraná. Foram incluídos alunos que participavam regularmente das aulas de Educação Física (na qual a avaliação foi realizada), que preencheram corretamente os instrumentos de avaliação e cujos responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Todos os alunos possíveis participaram do estudo, não sendo excluídos nenhum por questões de algum diagnóstico específico.

RESULTADOS

É possível perceber que todos os participantes estavam com estresse acima da média da população norte-americana e sul-brasileira. A maioria das meninas estava dentro do peso normal, com IMC na faixa normal; mas houve, mais meninas abaixo do peso, comparando com o percentual de 17,8% dos meninos.

Houve diferenças de gênero em relação à imagem corporal, com a maioria das meninas desejando emagrecer e a maioria dos meninos querendo engordar. Identificou-se um alto nível de insatisfação corporal na amostra, especialmente nos meninos. Constatou-se mais disfunção dos padrões alimentares nas meninas do que nos meninos. Estes apresentaram uma autoestima dentro da média, assim como as meninas; mas, entre aqueles com baixa autoestima, houve prevalência de meninas.

CONCLUSÃO

Este estudo obteve indicadores de insatisfação com a imagem corporal e comportamentos alimentares inadequados em uma amostra grande de adolescentes e jovens adultos, apontando para a necessidade de ações preventivas para essa população. A prevenção gera diminuição de custos em saúde pública e minimiza os efeitos nocivos de um possível transtorno psiquiátrico.

Pode-se considerar que os adolescentes e jovens esta amostra apresentaram condições de risco para transtornos alimentares descritas pela literatura: insatisfação com imagem corporal, tendências a transtornos alimentares, com particularidades nas diferenças entre os sexos. Essas diferenças devem orientar as propostas de intervenção, considerando as influências midiáticas e culturais que essa população sofre em termos de ideais de beleza física.

Como forma de evitar a possível ocorrência dos transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, sugere-se um trabalho preventivo, de avaliação e encaminhamentos para intervenção. Justamente por ser uma condição multideterminada, essas ações devem ser multidisciplinares, com a atuação de profissionais da Psiquiatria, Psicologia, Nutrição, Educação Física, para citar as principais. Para as meninas, sugere-se a avaliação e intervenções sobre as variáveis que se mostraram com maior força de associação, tais como preocupação em emagrecer, estresse e autoestima. Orientações sobre alimentação e nutrição, programas de controle de estresse e atividades que visem aos cuidados com autoestima são sugeridos. Quanto aos meninos, a atenção deve estar voltada à necessidade de aumentar a massa corporal, com comportamentos que tendam à vigorexia. Devem ser feitas orientações sobre práticas adequadas de exercício físico e estímulo à alimentação e nutrição adequada. Espera-se que intervir nas variáveis mais centrais indicadas pelas análises impacte nas variáveis de desfecho (IMC, comportamento alimentar), evitando a evolução para os transtornos alimentares.

REFERÊNCIAS

Alvarenga, M. D. S., Scagliusi, F. B., & Philipp, S. T. (2011). Comportamento de risco para transtorno alimentar em universitárias brasileiras. Revista de Psiquiatria Clinica, 38(1), 3-7. doi: 10.1590/S0101-60832011000100002 [ Links ]

Anzman, S. L., & Birch, L. L. (2009). Low inhibitory control and restrictive feeding practices predict weight outcomes. The Journal of Pediatrics, 155(5), 651-656. doi: 10.1016/j.jpeds.2009.04.052 [ Links ]

American Pscyhological Association (2014). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5 (M. I. C. Nascimento, Trad.). Porto Alegre: Artmed. [ Links ]

Bighetti, F., Santos, C. B., Santos, J. E., & Ribeiro, R. P. P. (2004). Tradução e avaliação do Eating Attitudes Test em adolescentes do sexo feminino de Ribeirão Preto. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 53(6), 339-346. doi: 10.11606/D.22.2003.tde-12042004-234230 [ Links ]





 
 
 

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